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Sei que andei afastado por muitos meses. Confesso. E me desculpo também. Sei que muitos dos meus textos servem de conforto pra muita gente e sinto como se as tivesse abandonado. E digo isso não por ego. Mas elas me dizem isso. Então, por que não acreditar? Se faz bem pro coração, a gente aceita.

Mas entendam. Andei afastado de vocês por uns tempos. E o verdadeiro motivo nem eu sei dizer. E também não posso prometer que não acontecerá de novo. Mas não os esqueci. Foi só assistir a um filme que me fez lembrar de um cara que conheço há tempos e achei importante escrever. Para Ele. Era como se ele estivesse sempre ali querendo minha atenção. E eu sempre o dispensei.

Entendam. Nunca foi por maldade. Mas talvez por pura distração. Mas já que comecei a falar verdades, seguimos com os sincericídeos até o fim. Nem eu sei dizer ao certo; mas era do tipo do cara que precisava sempre se negativar pra se sentir presente. Como se fosse necessário estar ao lado de pessoas que brilham pra que ele brilhasse também.

Nunca consegui entender o porquê. Olhando pra ele, era nítido que ele sabia onde pisava e por onde queria seguir. Mas, sempre recuava. Parecia que tinha medo de acreditar nos próprios caminhos, sabe? E o que a gente faz nesses casos? Só observa. Não há como ajudar quem não enxergou os problemas como realmente problemas.

E o vi seguindo assim por anos. Como se o silêncio que entregasse às pessoas fosse uma forma de protegê-las de algo que viveu e não queria feri-las mais do que já tinha ferido a si próprio. Todos temos segredos. E alguns, é melhor nem querer desvendar. Aquilo que não é dito, é não dito com o desejo de ser esquecido.

Mas uma coisa era necessário dizer: ele sabia sorrir como ninguém. Apesar de todo o peso que carregava nos olhos e do corpo que parecia pedir pra ser salvo a todo momento, quando sorria, parecia uma pessoa comum, daquelas que todo mundo esbarra em festas e pede que te traga um copo de refrigerante. Não sei se me entendem. Mas era como se sorrindo conseguisse se misturar à multidão, já tão contaminada em sorrir por coisas que não fazem sentindo. Afinal, camuflamos nossas falhas com largos sorrisos. Mas ele parecia sorrir de verdade.

Só não entendia porque ele tinha sempre que sorrir em momentos meramente calculados. Por que não sorria a todo instante? Por que essa eterna mania de querer parecer invisível? Talvez porque até então, até ele esquecia de si.

E num filme qualquer, numa noite qualquer de um feriado qualquer, descobriu que não era uma pessoa qualquer. Não que não tivesse descoberto antes. Também não pensemos tão dramaticamente assim. Mas é que na vida da gente, cheia de repentes e trapaças, se torna necessário a reafirmação constante do que somos e do que buscamos ser. Passou tanto tempo se defendendo dos outros que acabou por se tornar invisível a si mesmo. E nesse momento, se reafirmou.

E deitado no quarto antes de dormir, enfim conseguiu compreender que seus medos eram medos incomuns. Fortes e até certo ponto injustos se comparados aos medos dos outros. Afinal, ele não pediu para tê-los. Os foram impostos e ele era obrigado a conviver com eles. Mas mesmo com os medos e as cicatrizes que a vida lhe deu, aprendeu a sorrir de verdade, coisa que muitos passam a vida inteira tentando.

E diferente dos outros, de uma coisa ele tinha absoluta certeza: apesar dos monstros que carregava injustamente, ele sabia que não era a mágoa da vida de ninguém. E isso é tão raro hoje em dia. A vida o trouxe até aqui para sorrir. E isso ele sabia fazer com firmeza. Sorria até se sentir infinito. É isso, nós somos infinito se quisermos.

O filme: “As vantagens de ser invisível”.  O garoto? Sou eu.

E sorriu.

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