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Virou tradição. Todo ano, no sexto dia de fevereiro, se tornou necessário expor em palavras o significado da nossa amizade, afinal, é expondo-a que consigo “ler sobre nós”.

Sobre mim e você, consigo ler os autores mais distintos. “A verdadeira amizade é aquela que nos permite falar, ao amigo, de todos os seus defeitos e de todas as nossas qualidades”, li sobre nós em Millôr Fernandes. “E a coisa mais divina que há no mundo é viver cada segundo como nunca mais…”, também nos dizia Vinicius de Moraes, nas noites que passamos em claro em um apartamento fechado, dividindo as mais diferentes opiniões e transformando um cenário sem luxo e com barulho externo em um momento rico em companheirismo e paz.

Taí. “A amizade é um meio de nos isolarmos da humanidade cultivando algumas pessoas”, nos disse Drummond em um de seus versos. E sabemos isolar os nossos momentos. Somos assim. Temos uma predisposição em desejar um o sorriso do outro sem almejar algo em troca. Trocamos o muito pelo pouco quando o “estar por perto” nos é permitido. Sorrir muito. Falar muito. Até mesmo quando há muito silêncio, a cumplicidade se traduz no olhar em excesso. “A amizade é uma predisposição recíproca que torna dois seres igualmente ciosos da felicidade um do outro”, li também sobre nós em Platão.

Porém, ouso discordar de Machado de Assis: “Não é amigo aquele que alardeia a amizade: é traficante; a amizade sente-se, não se diz…” Desculpa Machado, mas quando o sentimento é muito, ele transborda e é preciso anunciar em alguns cantos, para não desperdiçar. Anuncio então a chegada do seu aniversário, e a minha declaração de sempre de te querer por perto, hoje e mais tantos outras datas importantes. “Venha quando quiser, ligue, chame, escreva – tem espaço na casa e no coração, só não se perca de mim”, li também sobre nós em um de nossos autores prediletos.

Photo Image Brazil  2010 (142)-A1Somos um pouco deles num só, e juntos construímos nosso próprio poema anualmente, afinal, Goethe também nos ensinou que “a amizade é como os títulos honoríficos: quanto mais velha, mais preciosa”. Obrigado por escrever sua história junto à minha.

E mudando de poeta para um escritor de gaveta, enxergo a nossa amizade como o café: uma vez frio, se tornarmos a esquentá-lo, o gosto se altera. Felizes daqueles que conseguem manter a amizade em uma xícara quente de café, sem deixar a amizade esfriar e sem modificar o sabor. Garçom, mais uma dose de Letícia, por favor!

Na foto, nosso sorriso clássico, que outro poeta transformou em poesia: Caetano! 🙂

 

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