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Tem muita gente que acha que ser feliz é viver com um sorriso rasgado no rosto. Pois deixa eu te contar uma coisa: sorriso às vezes é fracasso, em outros momentos, decepção. Quem nunca sorriu quando estava nervoso ou gargalhou após bater o dedinho na quina da cama? Nem sempre sorrir é ser feliz.

A felicidade é momento. É uma poesia recebida num pedaço de guardanapo em um bar qualquer ou um gole de vinho com a amada deitada no pé. É uma música que arrepia, um show que tira o fôlego ou um simples olhar daquele cantor que você acompanha o ano inteiro e conta as moedas para prestigiá-lo em cima do palco e, ele te olha. Felicidade é abrir a janela e deixar o Sol entrar, sem se preocupar com o suor que escorre no rosto se o calor bater. É susto que passa logo, é aquela briga que se resolve sozinha a ponto de esquecermos por qual motivo ela aconteceu. É o “tchau” acenado de alguém que parte, mas que com o olhar te resume que os momentos vividos ficarão reservados para continuarmos quando a viagem acabar. Ser feliz é o vento depois da chuva, é o olhar diferenciado de alguém no meio de uma multidão, é o emprego novo que te faz sentir capaz e te presenteia com novas amizades para escrever outras tantas histórias.

A felicidade também é simples. É um abraço em meio à tempestade, é uma lambida do melhor amigo após levá-lo para passear, é um andar de mãos dadas enquanto o mundo em volta aparenta estar sozinho e com pressa. É encostar a cabeça no ombro do outro dentro do cinema e esquecer do filme na tela pra vivenciar o momento fora dela. Felicidade é café surpresa na cama, é ter alguém que te cubra em dia frio ou que te ajude a levantar depois de uma noite mal dormida. É cheiro de chocolate quente ou da pessoa amada que fica impreguinado no corpo e na cama depois de uma noite vivendo como um corpo só. Felicidade é perdoar. É ferida que sara, é tatuagem que cicatriza para finalmente então poder mostrar, é a receita de bolo que dá certo antes do presenteado chegar. São os quilos perdidos, a calça que entra ou a voz que liga em um final de domingo para não deixar a angústia crescer. É a tv desligada para assistir a pessoa amada, é o ligar a tv depois do relaxar de corpos. E em nenhum desses momentos precisamos necessariamente sorrir para mostrar felicidade. Compreende?

Entenda: a felicidade é sutil! Não há como descobrir se alguém está feliz apenas com um sorriso no rosto, meu amigo. E se você não presenciou nenhum dos momentos descritos ou algo parecido, você ainda não sentiu o que é ser feliz. Talvez essa seja uma dica para te ajudar: pare de procurar “o mais” e tente sentir “o menos”. De nada adianta ter olhares grandiosos se não sabemos apreciar cada degrau que usamos para chegar lá. Ser feliz não necessariamente é ter o carro da vez mas uma companhia que te faça viajar sem sair do lugar. É compreender que o sorriso no rosto é a máscara que vestimos para expormos aos outros um sentimento, mas que nem sempre é real. Cada um sabe quando vivencia aquele pequeno momento que torna a vida mais feliz. E esse momento nem sempre transparece. Porque ser feliz não é dizer que está. A felicidade está nas entrelinhas.

Você, por exemplo. Você para mim tem cheirinho de felicidade. Eu te abraço e acabo ficando feliz também.

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