Queria escrever mas não consigo. É estranho como um dia temos todas as frases carregadas de adjetivos na boca, e em outros, ficam somente em pensamento. Não é difícil escrever. Complicado é tentar entender o que se pensa, para transformar teus pensamentos em palavras. Não, eu não errei não. TEUS mesmo, não meus. Dos meus eu sei muito bem, pelo menos por enquanto, mas os seus (…)

Olho para você, e sinto como se de ti viesse uma dúvida constante de como a vida te domina e como você se impõe diante da imposição dela. O quanto te machucam e a dor se faz mais amiga do que os próprios socos que te dão, pelo simples fato de a palavra “dor” ser menos dolorida do que a ação que a dor provoca.

“Pois fique atento, também estou a analisar as SUAS dores. Qualé, tá pensando que eu não sei o que te machuca? Acertou, eu não sei. Porque não convém a mim saber. Fica mais fácil assim na hora de retribuir um abraço sincero sem entender o porquê de eu apertar cada vez mais. Sufoca menos. Naturaliza mais. É sempre melhor assim. Não procurar saber, e deixar que as ações respondam na intensidade de que deveriam”.

Ora, e quem é você para me dizer das ações que devem ou não ser feitas? Nem você sabe das suas. Aliás, foi você quem me disse há minutos atrás que as palavras, por vezes, fogem do teu controle e saem na ordem contrária da que deveriam. E agora vem falar de ação a ser feita?

“Não te digo o que deve ou não ser feito, apenas digo. E retrucando o que me disse, a vida não me domina. Ela me leva. Ou eu a levo? Sei lá, o imprevísivel mal aparece e já é vivido. Carrego comigo, diariamente, a vontade de gritar sobre coisas que quero discutir pelo fato de não aceitar o padrão do “tem que ser (…)” E dói armazenar o desejo, por tempo indeterminado, até o incomodo pedir ajuda e me fazendo gritar. Taí, a dor de gritar, a dor que faz gritar”.

Gritar não deixa de ser ação. Taí. Aí sim você me disse algo a ser feito que realmente deva ser analisado e praticado. Gritar. Não necessariamente em som, mas em resposta. Grito pode ser a palavra não dita em horas de inquietação ou o soco bem dado em momentos de não-reação. É o contraste agindo à ação do outro. Sinto que gritamos um com o outro aqui, não? Com som ou sem som, gritas e discute comigo, sem a menor explicação.

“E por quê discute comigo ao mesmo tempo em que duvida das tuas próprias palavras? Já não é hora de parar?”

Talvez seja. Melhor deixar assim por dizer. As palavras, suas ou minhas, jogadas aqui. Deixemos para que ELES as analisem daqui em diante, caso haja alguma explicação. Afinal, palavras são palavras. Cabe a cada um atribuir o significado antes do ponto final.

“É. Ponto“.

Não é? Final.

Obs.: texto escrito a dois, como uma brincadeira durante conversa de msn. Entre aspas, as falas de Suellen Chinelatto. Fora delas, as do bloggueiro que vos fala. E não achem que estão loucos ao não entenderem o que foi dito. Não era para ter sentido algum. Por vezes, as palavras são assim: nem sempre querem dizer o que deveriam. Apenas, dizem. As palavras tem esse poder de dizer e não dizer. Cabe a você colher alguma coisa disso aqui, se enxergar algum significado. Mas, sem obrigações. Afinal, não significar nada pode também ser o significado de tudo.