Sexta-feira, 22 de outubro. Parecia mais uma “avalanche pop“. Rock não, pop mesmo. Quatro garotos gaúchos vítimas do preconceito musical vieram à Santos para mostrar um pouco do seu trabalho. Bem pouco, eu diria, mas o suficiente para dizer que eles estão aí, gostando ou não, criticando ou não. Dias depois de serem vaiados no show do Bon Jovi, a banda Fresno se mostrava ainda incomodada com o ocorrido, com frases de impacto lançadas nos intervalos das músicas por Lucas, o vocalista. Também, não é para menos. Um país que pede liberdade, reconhecimento e valorização, não sabe nem valorizar a música nacional. Não por ser nacional, mas simplesmente por ser MÚSICA, algo que deveria ser isento de preconceito. Palmas para vocês. Vaia para nós que gostamos de Fresno não é mesmo? Sei que a maioria pensa assim, não precisam me dizer.

E eu já imagino o que passa pela sua cabeça nesse momento: “Sério que ele foi num show da Fresno?”. Sim, fui. E digo mais: foi muito melhor do que eu pensava. Até mais rock do que eu pensava, mas não chegou a ser. Rodinhas de punk se mostraram presentes, o público pivete do pai-trocínio fazia gestos de rock com as mãos, as cabeças desciam e subiam numa ascenção ao “estou num show de rock”. Também não sejamos tão hipócritas. A Fresno é uma BOA banda de pop! E eu lá, em meio a tantas “crianças” que queriam demostrar a todo instante o seu amor pela banda. Além de meninas histéricas, com o típico “lindo, gostoso” e outros adjetivos que elas acham conquistar um homem, os garotos também se mostravam presentes. Mais contidos, mas não retraídos. Cantavam, berravam, se “esmurravam” no meio da pista e, em algumas excessões, invadiam o palco, só para poder dizer no dia seguinte por frases de msn, “show da Fresno ontem causei ¹²³ xD”.

Tentei não dar atenção ao público, coisa difícil já que eu, Arielle e Nathalia Geraldo éramos esmagados a cada instante por cabelos e franjas lisas nojentamente escorridas sobre os olhos. Respire fundo, e cante. Afinal, essa foi sem dúvida a melhor parte do show, poder cantar os versos sinceros e “gritantes” da banda. Pena “todo o resto” ainda se sentir na “obrigação” de vestir a máscara do preconceito e não se deixar levar pelo som da Fresno. “Quebre as correntes”, saia um pouco desse mundo de que música boa é aquela que vem com selo internacional. Música é música, e gosto é gosto, aquela famosa frase de que música é igual a…  você sabe. E cada um tem o seu.

Resumindo, o show da Fresno foi bom. Diria até que as músicas são melhores ao vivo, do que quando escutadas no silêncio do quarto. São dois momentos distintos, porém com a mesma intensidade. Letras de Fresno tem significado singular, cada um atribui o seu de acordo com sua vivência e o seu “coração partido”. Podem dizer que é Emo, mas um “Emo com classe”, eu diria. Sem calças coloridas ou refrões manjados que “me acham foda”. Fresno vende música, e não estilo, é isso que se precisa entender. Eu deixei o preconceito de lado para poder escutar Fresno, e deu certo, pois nem imaginava que essa banda viria a representar tantos momentos pra mim. Uma dica: deixe seu preconceito de lado também. Não pela Fresno, mas pode ser que haja uma boa banda à sua espera, a qual te fará bem, mas você a desconhece por ainda preferir enxergar pelos olhos dos outros.

Fotografia: Gustavo Vara