Olho para o teclado, penso, repenso, palavras na ponta da língua, coração palpitante, tri-penso, insatisfação. É tão estranho como o ser humano insiste em levar a vida. É tão mesquinha a forma como esquecemos as coisas boas que nos acontece, a partir do momento que algo ruim vêm à tona. Um simples problema que surge é capaz de nos fazer esquecer de tudo que há de bom. No momento estou assim, eu diria. Coração palpita pelas coisas boas, mas petrifica pela “coisa ruim”.

Até que ponto as coisas podem ser consideradas ruins para nós? Como fazemos essa lista de “bem ou mal” pra gente? Mania ridícula essa de querer estipular um sentimento para cada coisa que nos acontece. Mas é inevitável. O ser humano pode ser definido em “uma construção de incertezas”. De nada temos garantia, mas pensamos ter a garantia de tudo. O descontrole vive nos fazendo achar que o “ter controle” é o melhor negócio.

Hoje acordei assim: com o choro na garganta, um mal estar no estômago, e uma vontade louca de berrar à vida o quanto ela é injusta em alguns momentos. Mas a falta de tempo dos últimos dias não me deixa espaço para sofrer.  A lágrima não desce, o mal estar é empurrado pelo almoço de todos os dias, rápido e sem gosto devido à pressa pelos compromissos, o silêncio me amordaça a boca. “A vida me espera, vamos em frente. Carpe diem galera, vamos pensar positivo. A vida é linda, óh meu Deus”.

Visto minha camisa, já velha pelos dias que passam sem me dar aviso, arrumo a mochila com os falsos pertences de sobrevivência. Por fora, o sorriso se estampa pelo rosto. Por dentro? Ah, deixa pra depois, o tempo está curto demais agora para dar razão aos meus sentimentos. E que venha mais surpresas “Vida minha”, vou-estar-preparado para o que pode-estar-vindo daqui pra frente, ou pelo menos fingir que estou (suspiro).

Eu vou continuar aqui, em silêncio com as minhas incompreensões sobre as reservas da vida. Até porquê, quando tudo parece sem saída, há sempre uma válvula de escape. Por essa razão, escrevo.