25 / junho / 2009 - Michael Jackson morre após parada cardíaca

25 / junho / 2009 - Michael Jackson morre após parada cardíaca

Confesso que ontem me senti insensível. No momento em que obtive a notícia via twitter, transmiti indiferença pelo fato. Hoje, chorei. Talvez porque a ficha tenha caído, sei lá. Ou também porque, ao meu ver, a Record fez uma das mais belas homenagens que eu tive a oportunidade de ver. Sem hipocrisias, sei que fiz piadas e demonstrei pouco caso com aqueles que por ele, se mostravam indignados, tristes. Eu, apenas espantado. Afinal, o que já era previsto há algumas semanas, aconteceu. Inesperado não era. A verdade é que ninguém queria acreditar.

Tenho que reconhecer, apesar da minha pouca admiração, dos pontos positivos que ganhamos. Em uma vida marcada por turbulências, sabia fazer manchetes como ninguém. Por mais de três décadas fez tamanho sucesso, estando presente na maioria dos programas midiáticos. Deixou registrado aqui, momentos que, para mim, jamais serão alcançados, como por exemplo, a venda de mais de 27 milhões de um disco apenas – Thriller, é claro – e com a banalização musical que temos atualmente, acho difícil que este fato se repita, mas o desafio está lançado.

Assistindo a homenagem feita pela tv Record, que foi superior a tantos outros que mostravam cenas e clipes do Michael em busca de uma audiência arrasadora – o que me enoja e muito no meio jornalístico – lembrei-me dos passos que imitei e das músicas que cantava quando criança, sem ao menos saber que eram de um dos astros do pop. Afinal, quem nunca imitou, ou pelo menos tentou, copiar um de seus passos? Que atire a primeira pedra.

Os pontos ruins deixamos de lado. Sei que a imagem que fiquei por ele foi negativa. Mas, não posso julgar seres humanos a partir do momento que  eu também posso me afundar em segundos, afinal, sou um deles. A verdade é que, mesmo com milhares de fãs a sua volta, o que faltava para Michael era o amor. Aquele que não teve, e que buscou inúmeras vezes em objetos e até em pessoas e atitudes erradas. A partir daí, morreu. Para mim, essa é a verdade. Foi se matando aos poucos, com os fatos, dívidas, e boatos. Com um início de carreira brilhante, escondia a vida que levava por baixo de sorrisos. Hoje, se despede de maneira desfigurada, com uma fisionomia camaleônica e uma personalidade escancarada: melancolia!

Não digo-lhes que estou de luto, palavra tão banal como o dizer “te amo” nas gerações atuais. Não sou fã, nem seguidor de sua carreira, mas deixo registrado minha admiração por um dos professores do pop que, se despede de corpo, mas os aprendizados que nos deixou, continuam.