Quando o silêncio bate à porta, é hora de pensar se deve abrir. Pra alguns, falar liberta, mas para outros, o silêncio alimenta. Como era o meu caso. Foram anos bons, pessoas também. Situações novas, surpresas também. Mas a hora do silêncio chegou. Logo eu que sempre fiz questão de cutucar a ferida mesmo sem ter cartão de visitas nas mãos. Justo eu que vi pela comunicação a maneira correta de seguir e buscar junto com a minha língua solta, algo que pudesse tirar proveito. Acontece que eram palavras, e assim como conferem, também condenam.
Li certa vez em um blog de pessoas aleatórias por aí – daquelas que disparam frases famosas devido a sua fraqueza, e de certo modo, preguiça em botar o medo de lado e aprender a expor as próprias palavras – os dizeres “Nossas vidas começam a terminar no dia em que permanecemos em silêncio sobre as coisas que importam“. Discordo. Pois, pra mim, é cada vez mais claro que o silêncio expõe o grau de importância que aquilo tem pra si. Não me calo com aquilo que não me importo, mas sim pelo contrário.
Ato de silenciar pra mim é análise. A forma de ocultar o que se sente pra tentar enxergar o que deseja. Ando sem rumo pra tentar decifrar as inúmeras coisas que a vida tem me transmitido até aqui. Até então, eu resistia: saia por aí me expondo em dizeres e quereres. Mas, novamente o silêncio me pegou.
Tenho um amigo que vive dizendo que não vê a necessidade em explicar tudo em mil linhas quando se pode simplificar. Daí entra a hora de saber dosar silêncio com informação. É chegada a hora do in, e não do out. E na minha fúria por ler frases soltas por aí, encontrei algo que fizesse acalmar essa minha inquietação pela visita do silêncio quando os acontecimentos que me cercam pedem pra gritar: “E não esquece, silêncio também é resposta”.
- Pode entrar, silêncio, sinta-se em casa (…).
Porque para ele, silenciar ainda era a melhor forma de poder organizar as palavras que o consumiam.
eu também acho
:)